OPINIÃO

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Carlos Leen - 13:35 11/07/2017

O fardo histórico dos comunistas na atualidade do MA - Parte 02

Na primeira parte deste artigo, publicado na coluna anterior fiz uma breve descrição do que foi o papel dos comunistas durante todo século XX, inclusive pegando o início da ideologia marxista surgida a partir dos mesmos constructos do sistema capitalista, ou seja, a revolução industrial moderna. 

Capitalismo x Comunismo seriam assim como uma espécie de "dois lados da mesma moeda". Soma-se a isso as transformações políticas oriundas da fertil Revolução Francesa e teremos um caldo cultural efervescente que de certa forma influenciaria mundo afora todos que sonhavam com dias melhores. 

Hoje existe um contexto sociocultural completamente diferente e alguns se utilizam de desonestidade intelectual para disseminar falsas informações e conversas fiadas, sem o devido crédito científico. Vaticinando inverdades preconceituosas sobre o que é comunismo/socialismo. Para isso utilizam de forma vulgar as experiências sovieticas e/ou cubanas, como se vivessemos nos tempos da guerra fria. Querem com isso confirmar o "fim da história" como expressão do que que restaria ao mundo para, pura e simplesmente, imitar as democracias do Atlântico Norte, capitaneadas pelo hegemonismo norte-americano.

Tudo indica que os problemas do socialismo no século XX não estiveram circunscritos apenas às questões do exercício do poder político, mas – e talvez seja esta a lição mais profunda, pois não dependia de condições apenas subjetivas, mas objetivas - não conseguiram construir uma formação econômica hegemônica com um metabolismo espontâneo de produção e circulação de riquezas baseado na solidariedade, na colaboração e na sustentabilidade, na não-alienação, ou que, de alguma forma, tivesse pelo menos algum embrião de não desenvolvimento natural da tendência à acumulação e reprodução de capital com base na concorrência predatória. Nenhuma experiência conseguiu erguer uma formação econômica que produzisse riqueza, ou seja, incorporação de valor-trabalho num processo produtivo, com mais qualidade e produtividade que o capitalismo e baseado no trabalho de homens ao menos supostamente livres, repetindo o que foi a dinâmica de superação do feudalismo pelo capitalismo.

A economia, neste século, se mostrou um organismo vivo e autônomo, rebelde, não um deus como querem os liberais, mas com regras bem hospedadas no espírito humano sintetizado no curso histórico, algo que se mostrou ainda indomável às pretensões socialistas no século XX. 

Temos que aprender com as lições do passado e não abrir mão de nossa própria identidade cultural e de um projeto de desenvolvimento próprio. É neste sentido que caminha o governo de Flávio Dino que abriu um precedente histórico sem igual para este Estado. Muitos desinformados (ou por má fé mesmo) pregam uma suposta "intenção comunista de transformar nosso Maranhão em Cuba ou a União Soviética", ou o raio que o parta. São tresloucados e dignos até de pena. No atual cenário é papel de todo e qualquer governante alavancar as forças produtivas do Estado, para com isso fazer investimentos que socorram minimamente a população carente. Com isso, atitudes republicanas por parte do Chefe de Estado devem ser voltadas ao combate do modelo do passado.

Que tal compararmos o que foi a gestão dos Sarneys & cia?  Ao assumir o Palácio dos Leões,  o governador Flávio Dino, do PCdoB, criou a Secretaria de Transparência e Controle para coordenar auditorias sobre irregularidades nas pastas da gestão anterior. O secretário Rodrigo Lago herdou perto de 1,2 mil processos parados, muitos deles abertos durante o mandato da ex-governadora Roseana Sarney. Segundo relatórios da secretaria aos quais tivemos acesso, uma das pastas que mais danos provocou ao Erário foi a Saúde, comandada por Ricardo Murad, cunhado da ex-governadora.

A queda da família Sarney nas eleições em 2014 pôs fim a um poder político que perdurou por 50 anos. Com a decadência da oligarquia, o cordão umbilical que unia o Legislativo e o Executivo estaduais foi rompido. Pouco carismática, a nova geração do PMDB maranhense dependia das relações familiares dentro da administração local para se firmar ou se proteger. Agora órfãos do poder político de seus pais, os jovens integrantes do grupo passaram a ser alvos de investigações que antes jamais prosperavam.  

Segundo uma reportagem publicacada na Revista Carta Capital, "um escândalo envolvendo a empresa de Lobão Filho veio à tona durante a campanha para o governo do estado. Sua empresa, a Difusora Incorporação e Construção, firmou um contrato sem licitação de 360 mil reais com a Secretaria de Saúde para alugar por 12 meses um imóvel de cinco andares para o Centro Ambulatorial de Atenção à Saúde do Paciente Oncológico. Segundo a auditoria do governo de Dino, o contrato gerou um dano de 252,9 mil reais ao Erário estadual, pois o centro começou a funcionar apenas seis meses após a assinatura do contrato. Em 2014, Lobão Filho afirmou que o negócio foi fechado antes da campanha e que estava afastado do cotidiano de suas empresas. Em novembro passado, a Justiça determinou a imediata suspensão dos pagamentos". 

Continua

AUTOR

Carlos Leen

Natural de Imperatriz - MA, Professor de História da Rede Estadual de Ensino, graduado pela Universidade Estadual do Maranhão e pós - graduado em Educação em Direitos Humanos pela Universidade Federal do Maranhão. É pesquisador e autor do livro "O Estreito Desenvolvimento: História dos Conflitos da Barragem".

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