OPINIÃO

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Carlos Leen - 15:07 29/11/2017

Fórum Alternativo Mundial da Água

Em 2018 teremos no Brasil a 8ª edição do Fórum Mundial da Água (FMA). É um evento grandioso e que conta com o apoio de diversos organismo econômicos, com um orçamento milionário atraindo dezenas de participantes mundo afora. Resta saber o grau de legitimidade que este fórum possui para debater um tema que diz respeito ao próprio futuro da vida na Terra e como as populações entram na questão.

A visão privatista dos recursos hídricos por ora tem dado a tônica em um mundo cada vez mais desigual. No Brasil a realidade não poderia ser diferente. As empresas sejam de geração de energia ou de abastecimento baseadas no fluxo das águas seguem um modelo destoante com as necessidades das populações mais carentes. Basta dar uma olhada na realidade de milhares de pessoas do Brasil profundo.

Para quem não sabe nosso país é riquíssimo em água doce. Os rios e aquíferos como o "Guarani" e o "Amazonas"  são considerados os maiores do mundo, no entanto temos uma lógica excludente na qual milhares de famílias não tem água potável ou saneamento básico. No caso da produção de energia via hidrelétricas temos muitas usinas construídas ferindo de morte nossos rios (a exemplo do Tocantins) e mesmo assim o preço da luz continua um roubo (sobre esse assunto quero publicar algo específico). 

Empresas de caráter privatista e sem responsabilidade social maximizam seus lucros se utilizando da riqueza hídrica que deveria servir para o povo. Desta forma, qualquer evento, fórum ou confêrencia que não leve em consideração a participação popular e a autodeterminação dos povos, deve ser rechaçado.  

As empresas não podem ter o controle patrimonial da água. Isso é uma aberração. Este é um bem essencial a vida. Por isso a busca pelo diálogo com os reais interessados na questão. Baseado nestas premissas dezenas de entidades da sociedade civil, de defesa do meio ambiente, de representação sindical de trabalhadores, movimentos sociais e populares, do Brasil e do exterior, decidiram realizar o FÓRUM ALTERNATIVO MUNDIAL DA ÁGUA – FAMA 2018, a exemplo do que ocorreu em outros países nas reuniões anteriores. Para organizar os primeiros passos, ocorreram reuniões em São Paulo a partir de fevereiro de 2017. 

Aqui em Imperatriz aconteceu uma boa reunião no último dia 21/11 quando um grupo bastante representativo de entidades sindicais, movimentos sociais e ambientais, puderam conversar sobre a questão e definir estratégias de criação de fórum alternativo das águas da região. O sindicato dos bancários foi a sede escolhida como base e a ideia é promover um grande encontro a ser realizado na universidade, com a participação de acadêmicos, indígenas, ambientalista e populares em geral.  

Não será a primeira e muito menos a última vez que distorções sociais promovidas por interesses privados serão apresentados como saída para a humanidade. Por trás destes interesses esconde-se o desejo em altos lucros. A mão e o rosto do todo poderoso mercado permanecem escondidos pelas sombras de governos corruptos. Não há escapatória meu povo: onde existe capitalismo existirá corrupção. E aí sem querer dar uma de moralista devemos saber quando estancar a sangria. 

Leia abaixo o resumo da convocatória feita pelo FAMA - FÓRUM ALTERNATIVO MUNDIAL DA ÁGUA 2018

Coletivamente rejeitamos o controle das empresas privadas sobre o patrimônio natural que é a água. Como cidadãos, sindicatos, organizações humanitárias e de defesa do meio ambiente, entendemos ser nosso dever e obrigação protestar contra a apropriação do mercado sobre um direito humano fundamental. Assim, deliberamos por conclamar a humanidade à realização do FÓRUM ALTERNATIVO MUNDIAL DA ÁGUA - FAMA 2018. Essa iniciativa é imprescindível, pois em março de 2018, o Brasil sediará a 8ª edição do Fórum Mundial da Água (FMA), evento organizado pelo Conselho Mundial da Água a cada três anos desde 1997, que conta com orçamento milionário que serve para atrair dezenas de milhares de participantes e validar as políticas de privatizações dos governos e funciona como balcão de negócio das grandes empresas do setor de água. As discussões preparatórias a este evento, apontam para o objetivo, mesmo que não totalmente explicitado, de direcionar e influenciar tomadas de decisão dos governos e influenciar a opinião pública para uma visão e gestão privatista dos recursos hídricos. Apesar de ser a 8ª Edição este Fórum não possui a legitimidade que pretende ter para representar os anseios colocados pela maioria dos povos do planeta em relação ao acesso à água. Muito pelo contrário, este Fórum de empresas representa realmente um perigo. Para se contrapor a esta visão mercantilista e entendendo que a água é um direito e não mercadoria, bem comum da humanidade e de todos os seres vivos, dezenas de entidades da sociedade civil, de defesa do meio ambiente, de representação sindical de trabalhadores, movimentos sociais e populares, do Brasil e do exterior, decidiram realizar o FÓRUM ALTERNATIVO MUNDIAL DA ÁGUA – FAMA 2018, a exemplo do que ocorreu em outros países nas reuniões anteriores. Para organizar os primeiros passos, ocorreram reuniões em São Paulo a partir de fevereiro de 2017. 

Interessado em participar da FAMA enviem e-mail para carlosleen@gmail.com

AUTOR

Carlos Leen

Natural de Imperatriz - MA, Professor de História da Rede Estadual de Ensino, graduado pela Universidade Estadual do Maranhão e pós - graduado em Educação em Direitos Humanos pela Universidade Federal do Maranhão. É pesquisador e autor do livro "O Estreito Desenvolvimento: História dos Conflitos da Barragem".

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