OPINIÃO

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Carlos Leen - 19:18 01/03/2018

Amar e mudar as coisas online

Foi mais ou menos por volta dos anos 2000 que senti pela primeira vez as pontencialidades da internet 2.0. Hoje em dia observando as novas plataformas que a rede possui, o famoso Mirck parece algo pré-histórico. Era esta a principal plataforma que usávamos na época com apelidos (nicks) representando toda a sorte de maluquices de jovens adolescentes.

Não se falava tanto de política na rede social, não pelo menos onde eu pudesse alcançar. Os objetivos eram mais a paquera e a mobilização para as festas. Havia toda a sorte de caráter ali conectado, mas as polêmicas me pareciam menores. Temas tabus como aborto e homoafetividade eram sempre tratados com muito mau gosto, porém muito menos que hoje em dia.

Sejamos francos: a internet soltou os monstros internos de cada um. Me parece que a moda é o apedrejamento coletivo mesmo sendo o(a)  sujeito(a) inocente ou não.

Biografias inteiras são destruídas via fake news e o que deveria ser uma ferramente de informação e formação torna-se um veículo de desinformação. Finalmente chegamos a era do pós-verdade, onde não adianta mais ouvir especialistas em determinado assunto, já que a maioria prefere o meme, o Gif, para construir sua opinião.

Desta forma amplificou-se o discurso de ódio e preconceito. Boçais fundamentalistas não ligam para a Ciência e o conhecimento só vale se for para legitimar condutas fascistas. Em amplos os espaços há muito mais hipocrisia do que antes.

Mas nem tudo são tragédias. Mesmo as épocas de opressão são dignas de respeito, pois são obra não dos homens, mas da humanidade, e portanto da natureza criadora que pode ser dura, porém nunca absurda. Se a época que vivemos é dura, temos o dever de amá-la ainda mais, de penetrá-la com amor, até que tenhamos afastado as enormes montanhas que dissimulam a luz que há para além delas.

Como diria Louis Pauwels ou dizendo de outra forma, se nós calarmos "até as pedras gritarão".

AUTOR

Carlos Leen

Natural de Imperatriz - MA, Professor de História da Rede Estadual de Ensino, graduado pela Universidade Estadual do Maranhão e pós - graduado em Educação em Direitos Humanos pela Universidade Federal do Maranhão. É pesquisador e autor do livro "O Estreito Desenvolvimento: História dos Conflitos da Barragem".

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