OPINIÃO

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Carlos Leen - 09:38 26/05/2018

A greve dos caminhoneiros e a luta de classes

O aumento abusivo dos combustíveis do país provocou um drama nacional. Com a paralisação dos caminhoneiros a coisa tende a se agravar com a falta de produtos básicos nas prateleiras e, claro, escassez nos postos de gasolina.

A grande mídia e o governo federal "suspeitam" que tudo esteja sendo orquestrado pela articulação entre empresas transportadoras e os motoristas de caminhão. Ontem o prefeito da cidade de Betim-MG e presidente da Cooperativa de Transportadoras Mineiras, fez um vídeo parabenizando o movimento. Prova maior que essa, só o fingimento da ingenuidade do governo.

Claro que a alta dos combustíveis fere de morte toda a atividade produtiva. Desde as grandes empresas transportadoras até aquele autônomo que possui um único caminhão.

Diesel e gasolina são insumos incontornáveis para atividades fins. O caos começa a se instalar. Se dizia que o Brasil não poderia se tornar uma "Venezuela" e, vejam só, aqueles do Pato da FIESP devem estar se perguntando "onde foi eu que errei".

E por falar no país vizinho da América, vale lembrar que por lá eles sofreram um embargo econômico cruel por anos a fio, assim como Cuba, promovido por forças capitalistas ocidentais, mais notadamente EUA e comunidade européia. Nós estamos sentindo um pouco deste gostinho agora. Assunto para outro texto.

Luta de classes

A atividade de caminhoneiro é uma das mais precarizadas do mundo. Os motoristas proletariazam-se passando sono e tempo longe de suas famílias. E são trabalhadores importantíssimos para a engrenagem do Capital. O setor de transportes parado, para o Brasil como estamos vendo.

O governo ilegítimo de Temer sofre sua primeira grande pancada diretamente incidida sobre o setor produtivo. As contradições são flagrantes e tem na mira este desgoverno pós impeachment. Uma GREVE GERAL pode e deve ser levada a cabo pelos setores que disputam a atual quadra histórica. Sem arrodeios, a luta de classes nunca esteve tão viva.

Setores políticos da esquerda deveriam se envergonhar de afirmarem "desconfianças" e absurdos como "isso tudo é coisa da direita". Deveriam sim, saírem do Facebook e irem para dentro do movimento, apontar fatos políticos e contradições. Parar de disputar apenas sindicatos improdutivos e não entregar de mão beijada para os liberais a direção deste movimento que é legítimo.

Está claro que os rumos da greve dependerão dos diretamente envolvidos. Por isso é necessário menos análise de conjuntura e mais ação. 

Todo apoio a paralisação dos caminhoneiros.

AUTOR

Carlos Leen

Natural de Imperatriz - MA, Professor de História da Rede Estadual de Ensino, graduado pela Universidade Estadual do Maranhão e pós - graduado em Educação em Direitos Humanos pela Universidade Federal do Maranhão. É pesquisador e autor do livro "O Estreito Desenvolvimento: História dos Conflitos da Barragem".

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