PALAVRAS NO AVESSO

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Marcos Fábio - 17:55 03/04/2018

A Academia Imperatrizense de Letras

No centro de Imperatriz, existe um prédio histórico, em frente à Praça da Cultura, uma das mais arborizadas da cidade. É lá que se abriga a Academia Imperatrizense de Letras. Em 2016, tive a honra de ser escolhido como um dos 40 membros daquele sodalício, para ocupar a cadeira que pertenceu ao renomado professor e historiador João Renôr.

Para mim, é uma alegria estar na AIL (é assim que a chamamos, pela sigla). Reunimo-nos às quintas-feiras, às 17h, para nosso chá. É, antes de qualquer ar de ritualidade, uma reunião de amigos e amigas (chamamo-nos de “confrades” e “confreiras”, nas ocasiões mais formais, mas na intimidade nos chamamos pelos nomes).

Dos 40 membros, costumam participar das reuniões menos de vinte. A AIL tem membros espalhados por muitos lugares e que não conseguem, por questões de limitação geográfica, estar nas reuniões semanais. E tem também outros que, mesmo estando na cidade, optam por não comparecer. Mas vão. E, quando vão, é uma alegria estar com eles.

Nas quintas, tomamos nosso chá, suco, café, comemos bolo, biscoitos e frutas cortadas. Tudo pago por nós mesmos. A AIL não tem ajuda mensal de nenhum tipo de poder. Discutimos os assuntos pertinentes à nossa vida administrativa, lemos trechos de livros (nossos e dos outros), damos conta das nossas atividades sociais (palestras que fazemos, reuniões aonde vamos, nossas publicações, etc), recebemos visitas. Invariavelmente, fazemos troças uns dos outros, contamos piadas, sorrimos, discutimos, concordamos e discordamos com muita frequência. Somos, enfim, um grupo de amigos e amigas que temos, todas as semanas, um motivo para nos encontrar.

A academia presta um grande serviço à cidade de Imperatriz e aos demais municípios próximos. Todos os anos, fazemos o Salão do Livro de Imperatriz (o Salimp, que em 2018 vai para sua 16ª versão); temos uma biblioteca confortável aberta ao público, com um acervo multidisciplinar; recebemos sempre nas nossas dependências estudantes de todos os níveis; somos fiéis depositários do acervo impresso do jornal O Progresso, o mais antigo de Imperatriz, que é usado para muitas pesquisas, sobretudo por estudantes universitários.

Uma das coisas que percebi, quando cheguei a Imperatriz, em 2006, foi o significado simbólico que a AIL tinha na coletividade, como era respeitada, como era (re)conhecida por muita gente, como os seus membros eram considerados. Diferente de outras academias de letras, que vivem no ostracismo, a de Imperatriz se faz perceber na vida cultural da cidade, se faz importante no dia a dia, nas discussões que interessam à vida coletiva, movimenta-se e movimenta o cenário da literatura, da arte e da cultura em geral, nessa que é a segunda mais importante cidade do Maranhão.

Por isso e por tudo o mais, é um orgulho estar lá, entre os confrades e as confreiras, cujos nomes, histórias e trajetórias de vida honram aquela casa, fundada em 1991 por um grupo de intrépidos escritores e homens de cultura. E que chegará, daqui a alguns dias, aos seus 27 anos bem vividos.

AUTOR

Marcos Fábio

Professor do curso de Comunicação Social da Universidade Federal do Maranhão e membro da Academia Imperatrizense de Letras.

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