PRÁXIS POLÍTIKA

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César Figueiredo - 18:02 11/03/2018

O cenário do 2º turno já está definido: só faltam os candidatos

A ciência política longe de ser uma ciência especulativa trabalha com requintes teóricos e metodologia precisa, dando a mesma, por conseguinte, o status de ciência. Entre os vários atributos da disciplina está uma análise precisa e acurada do passado e, com isto, pode interpretar o presente da melhor maneira possível a guisa de análises comparadas bem amarradas e ajustadas entre o passado e o presente. Assim como o método, as técnicas e as teorias servem para interpretar o passado e compreender o presente, também, servem para fazermos projeções longitudinais de cenários políticos futuros.

Embora saibamos que o futuro ainda se encontra em vias de desenvolvimento, podendo haver casos, cenas e personagens que ainda irão se descortinar nos próximos capítulos da história; no entanto, alguns condicionantes já se encontram postos nas eleições presidenciais de 2018, como por exemplo: 1) Lula em primeiro lugar nas pesquisas, fatos este que o leva diretamente ao segundo turno; e, do lado oposto, 2) há um célebre deputado cacifado para o segundo turno, associado fortemente com a extrema direita e grupos militares. Porém, tanto um quanto o outro estão com problemas junto ao eleitor: o primeiro pela associação do seu nome em desvios fraudulento, tentando brigar com a justiça para conseguir chegar ao segundo turno na base de habeas corpus; enquanto o outro, briga consigo mesmo para se livrar da imagem de personagem de fanfarra e tresloucado.

Quanto ao primeiro personagem já encontra-se incrustrado dentro dos anais da história do Brasil, sendo que no tocante a sua criminalização pode ser questão de tempo, ou seja, uma verdadeira maratona contra o tempo entre a polícia e a urna. Quanto ao segundo personagem já é um caso mais complicado de se decifrar, pois foge de todos os parâmetros esperados por um político tido como presidenciável, vide a sua vida pregressa, assim como as sua declarações bombásticas como, por exemplo, de acordo com as suas próprias palavras: 1) “mulher tem que ganhar menos porque cumpre licença maternidade”; ou 2) “meu filho nunca namoraria uma negra porque foi bem educado”. Realço que essas palavras saíram da boca do próprio presidenciável, gravado e ainda confrontado com a sua própria fala; sendo que, após esses comentários vergonhosos ainda o mesmo participou de embates em programas sensacionalistas de entrevistas justificando a sua posição como corretíssimas.

No entanto, por mais esdrúxulas que sejam as frases de efeito desse anticandidato, contudo, estão caindo no gosto dos eleitores e o cacifando como segundo lugar nas pesquisas eleitorais e com isso lastreando a sua campanha para um vergonhoso segundo turno. Ainda, não sabemos se Lula chegará, realmente, ao segundo turno - pode ser que sim ou pode ser que não, como um jogo de cara ou coroa decidido na sorte. Quanto ao segundo candidato, se continuar a se comportar como palhaço bufão dos circos dos horrores poderá implicar em duas situações: 1) ser rifado ao longo das eleições nos diversos programas eleitorais quando confrontando com outros candidatos realmente sérios; ou, 2) de fato, cair no gosto dos brasileiros que estão cansando com a política tida como tradicional e decida votar em algo divertido, porém não eficaz.

Se prevalecer a segunda opção desse candidato chegar ao segundo turno não causaria um estranhamento, pois o palhaço Tiririca também já chegou à Câmara dos Deputados como o mais votado de São Paulo; porém, realçamos que Tiririca nunca escondeu a sua profissão e tinha orgulho da vida circense (realmente nobre profissão). Quanto ao deputado federal e ex-militar que quer chegar ao Palácio do Planalto, este está chegando lá pelas próprias contradições da política brasileira: corrupta, falha, incompetente e muitas vezes anedótica, saturando, assim, a paciência do povo brasileiro: já que o voto é obrigatório, então, vamos radicalizar, melhor dizendo, desmoralizar a política.

AUTOR

César Figueiredo

César Alessandro S. Figueiredo Profº. Drº. em Ciências Políticas/UFT Universidade Federal de Tocantins Coordenador do Curso de Ciências Sociais/UFT Linha de Pesquisa: Memória Política; Partidos Políticos; Ditadura Militar.

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