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César Figueiredo - 09:31 11/06/2018

As eleições de 2018: os cenários possíveis

Faltam poucos meses para a eleição de 2018, porém ainda os cenários são impossíveis de se mostrarem visíveis e, muito estranhamento, muito mais difícil poder diagnosticar um possível resultado final. Embora a eleição de outubro de 2018 seja uma oportunidade ímpar para elegermos deputados estaduais, deputados federais, senadores e governador, porém, o que conta realmente é a eleição presidencial, uma vez que é a partir do pulso do chefe do executivo nacional que será definido o futuro do Brasil. Ou seja, os outros cargos sofreriam os influxos políticos a partir do que seria definido pelo Presidente e pela sua política de caráter nacional.

Conforme sabemos, mesmo que possa haver governadores de partidos diversos eleitos em âmbito nacional, o que conta na verdade é a máquina pública impulsionada a partir de Brasília na figura do chefe do Palácio do Planalto. Além disso, a partir da chefia do executivo, consequentemente, o mesmo também irá influenciar com o seu partido na distribuição de cargos, ministérios, secretarias e diversos órgãos no cenário nacional, melhor dito, moverá toda a gama de recurso para a máquina pública a favor do seu partido. Portanto, a eleição do Presidente representa o grau máximo em liderança, assim como a capacidade de mover recursos financeiros, distribuição de cargos e implementar uma política consistente que irá dar o trilho do Brasil nos próximos quatro anos.

A fim de traçar os cenários possíveis são lançadas pesquisas com os candidatos a Presidente, nestas situações o ex-Presidente Lula continua como protagonista principal nas pesquisas, mesmo condenado pela justiça. Também, numa projeção com todos os presidenciáveis no segundo turno ele venceria a todos com larga vantagem, representando, portanto, a manutenção e confiança em Lula como candidato. Ainda, esta confiança se estende quando, de acordo com a pesquisa do Instituto Datafolha, 30% dos entrevistados assumem que votariam em que o Lula indicasse, como um sinal positivo de transferência de voto e continuidade da confiança no nome de Lula, acima de qualquer denúncia ocorrida contra o ex-Presidente.

Noutro cenário, sem a presença de Lula, o Bolsonaro se apresenta com boa vantagem no primeiro turno, porém no cenário do segundo turno perde para todos os possíveis candidatos considerados como fortes, como por exemplo, Ciro Gomes, Marina Silva e Alkmin. Mesmo com a anuência das pesquisas indicando a transferência dos votos de Lula para quem fosse indicado pelo líder petista, contraditoriamente, Bolsonaro somente ganharia nas pesquisas se disputasse as eleições com o Fernando Haddad do PT. Talvez, esse último item demostra muito mais a rejeição pelos eleitores para a sigla petista associado a corrupção, do que pelo nome do inexpressivo Fernando Haddad.

Entre tantas incertezas destas pesquisas, além de não sabermos os limites de uma campanha presidencial com Lula preso, no entanto há a um dado com muita certeza pelos entrevistados: a falta de confiança em Michel Temer. De acordo com a pesquisa, 92% dos entrevistados rejeitariam qualquer candidato indicado por Temer, melhor dito, quase todos os consultados não confiam no atual Presidente – conta bem cara que Temer está pagando em face de ter patrocinado o golpe de 2016: nada como a lei do retorno!

AUTOR

César Figueiredo

César Alessandro S. Figueiredo Profº. Drº. em Ciências Políticas/UFT Universidade Federal de Tocantins Coordenador do Curso de Ciências Sociais/UFT Linha de Pesquisa: Memória Política; Partidos Políticos; Ditadura Militar.

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