CULTURA

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Daniela Souza - 07:43 12/02/2018

Escola de samba 'Unidos da Villa Nova' marcou gerações em Imperatriz

Assim como nas demais escolas de samba, um dos pontos fortes e que sustentava toda a animação dos bastidores, era o envolvimento de toda a família na mesma

Toda a verba que recebiam era destinava aos adereços, enfeites, figurinos e etc. (Fotos: Arquivo Pessoal do entrevistado)

Diversas pessoas e personagens. Quatro principais escolas e muitas histórias para contar. Em meio ao quebra-cabeça dos relatos que mostram como era a época do carnaval dos anos 80 e 90 em Imperatriz, as páginas do Jornal Correio ficaram pequenas para tantos momentos construídos pelas escolas de samba da cidade. Porém, segue a missão de descrever a época carnavalesca das escolas de samba. Aqui vai mais um relato de um personagem que esteve à frente de uma escola por 12 anos.  

"O carnaval das escolas de samba esteve no auge na época do prefeito José Ribamar Fiquene [1983 a 1988], tivemos total apoio para fazer os melhores carnavais de Imperatriz. Dentre as escolas participantes estavam: Mocidade da União (Eduardo Molone e carnavalesco Lambau), Voluntários do samba (irmãos Cordeiro), Mangueira (da Nova Imperatriz), Unidos de Villa Nova (o presidente era o radialista Manoel Cecílio). Nos anos 90 eu assumi a escola Unidos de Villa Nova. O desfile geralmente acontecia na Rua Coronel Manoel Bandeira, com sentido no início na esquina da Getúlio Vargas para a Escola Santa Teresinha. O palanque ficava na praça da cultura, com toda a comissão julgadora. Esse carnaval, a imprensa toda, a Rádio Imperatriz e Nativa transmitiam ao vivo pela rádio AM", destaca Maurício Martins.  

Unidos de Villa Nova conquistou o primeiro título em 1989, com o tema: "Mundo mágico do circo". Martins relembra que a história do circo desfilou e a equipe da escola conseguiu levar o universo do circo às ruas. "O Manoel Cecílio conseguiu alguns membros de circo que andavam na região. Tinha anões, monociclos e elefantes porque na época o circo tinha animais. Foi um carnaval muito lindo e eu diria que conquistou o público. O tema tinha a ver com a criança e sua inocência", pontua Maurício que demonstra muita emoção ao explicar a história.  

Outro tema marcante para ele, foi o momento em que falaram sobre as comunicações, com o objetivo de homenagear as pessoas que davam o maior apoio as escolas de samba na época. O ápice da escola de samba Unidos de Villa Nova foi em 1992, quando levou o tema de relevância para a cidade de Imperatriz.  

"A Câmara de Dirigentes e Lojistas (CDL) de Imperatriz lançou uma campanha intitulada 'Eu amo Imperatriz'. O tema foi pensado porque a cidade tinha muita violência e apresentavam Imperatriz de uma maneira negativa na mídia. A campanha foi transmitida em rádios e jornais da cidade. O nosso samba era 'Imperatriz 140 anos faz', que relembrava o aniversário de 140 anos da cidade. E nós levamos a Avenida a história de Imperatriz: Frei Manoel Procópio; a Norte-Sul que estava iniciando, e assim prestamos nossa homenagem a Imperatriz. O carro abre alas tinha o nome 'Eu amo Imperatriz. Consideramos que foi o momento mais marcante dos temas trabalhados pela escola", avalia Martins. 

Com o tema 'Eu amo Imperatriz' a escola Unidos da Villa Nova não ganhou o título porque no momento do desfile choveu forte e algumas roupas e adereços, literalmente, 'foram de água abaixo'. A escola ficou em segundo lugar e, Martins recorda que aquele dia se tornou marcante, pois o objetivo de homenagear a cidade tinha sido realizado. A prova disso, foi a lembrança de um trecho do enredo durante a entrevista. "Nasceu o sul do Maranhão, na cidade linda como a natureza. 140 anos faz..." 

Maurício explica que teve alguns anos de crise nas escolas de sambas após 1993, os gestores mudaram e não apoiaram os carnavalescos. "Os carnavais deixaram saudades porque era uma época em que tinha as festas nos clubes e depois das escolas desfilar, esses lugares lotavam. O carnaval era feito pelas comunidades (bairros) e depois nos confraternizávamos nos clubes. Foi um tempo em que a gente pôde retribuir o carinho por meio de enredos que a gente levava para a avenida".  

O reconhecimento vinha por toda parte. Desde as disputas entre os empresários de qual escola patrocinar, como também ao terminar o desfile, uma antiga pizzaria da cidade chamada de Dom Vito abria as portas para os membros da escola Unidos da Villa Nova irem tomar água e refrigerantes. Um mês antes do carnaval, alguns estabelecimentos ofereciam feijoadas e levavam toda a turma da escola e os ritmistas animavam o local. O momento também servia para arrecadar verbas, pois não esperavam somente o financiamento público. 

Emocionado, Maurício Martins lembra dos amigos, alguns já falecidos, mas que fizeram parte dessas histórias: "Manuel Cecílio; Roberto Chaves; Conor Farias; Moacy Sposito da Rádio Imperatriz; Ildo do Panelão; Beto Maracanã um dos ritmistas e outros grandes músicos que eu tenho o maior carinho. Junior da Antártica; o presidente da CDL naquela época o Ilson Maia. A alegria do carnaval me deu a satisfação de continuar morando em Imperatriz, porque muitos de nós eram de fora. Eu sou de Bragança-PA. Em mim ficou saudade desse tempo". 

Assim como nas demais escolas de samba, um dos pontos fortes e que sustentava toda a animação dos bastidores, era o envolvimento de toda a família na mesma causa. Ao finalizar a entrevista, Maurício Martins relatou que se uma menina menor de 18 anos quisesse dançar, e o pai ou mãe estivessem envolvidos em outra parte da escola, logo davam permissão. Ressaltou ainda, que tudo era feito com amor, por gosto, porém, não ganhavam nenhum salário para se dedicar a escola. Toda a verba que recebiam era destinava aos adereços, enfeites, figurinos e etc.  

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