CIDADE

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Hyana Reis - 17:14 15/07/2017

Imperatriz: 165 anos de história

Fundada no dia 16 de julho de 1852, o pequeno povoado se tornou a segunda maior cidade do Maranhão

Foto: Reprodução.

O maior entroncamento comercial, energético e econômico do país, e o segundo maior centro populacional do estado completa, neste domingo (16), 165 anos de fundação. Imperatriz acumula mais de meio século de histórias e evolução, para que hoje possa carregar o título de princesinha do Maranhão.

Tudo começou com uma expedição pelo Rio Tocantins, que levou Frei Manoel Procópio à essas terras, que até então eram habitadas pela tribo indígena Timbira, segundo informações do historiador Adalberto Franklin, em entrevista concedida ao Correio, ainda no ano passado. “Imperatriz surgiu de uma missão do Governo do Estado do Pará, que buscava fundar uma colônia militar nesta região”, explicou na época.

Dados colhidos pelo historiador, que morreu este ano mas deixou uma grande contribuição para a história da cidade, informa que naquela época a tribo Timbira era considerada perigosa, por isso, por muitos anos evitou-se explorar essa área. Foi então que surgiu Frei Manoel, um dos poucos que falava a língua Tupi, utilizada pelas tribos da região.

O Frei foi enviado com uma expedição de 200 barcos e mais de 100 colonos para fazer aldeamento de índios. Manuel Procópio conseguiu então aldear tribos nas áreas onde hoje é a Praia do Cacau e a Praia do Imbiral. Ele escolheu um ponto localizado no meio entre as duas aldeias para melhor administrar a tribo. Este local hoje é Imperatriz. Mas naquela época foi batizada de Santa Tereza, a padroeira da cidade. “A primeira construção de Imperatriz foi a Igreja de Santa Tereza D’Avila”, explicou o historiador.

O que o Frei não sabia ao chegar aqui era que a região já havia sido decretada como maranhense. “Naquela época as notícias demoravam muito para chegar. Então por algum tempo, foi administrado como governo do Pará”, disse Adalberto.

Ao tomar conhecimento, por volta de 1855, da nova povoação em seu território, o governo do Maranhão aprovou por meio de Assembleia, a Lei Provincial nº 398, de 27 de agosto de 1856, que criou a “Vila Nova da Imperatriz”, sancionada pelo barão de Coroatá, Manuel Gomes da Silva Belfort, então presidente da Assembleia, segundo informações do livro “Breve História de Imperatriz”.

Mesmo após o Maranhão reivindicar a área como sua, Frei Manuel não quis deixar a aldeia que fundou, se desligando do governo do Pará e até ignorando ordens de seus superiores que pediram sua volta. “Ele se filiou ao governo do Maranhão e ganhou um cargo”, informou Adalberto Franklin.

Por mais de cinquenta anos Imperatriz só possuiu uma rua. Hoje conhecida como 15 de Novembro. “Era próxima ao rio, mas era alta o suficiente para não sofrer com enchentes”, explicou o historiador. No local se encontravam comércios, casas e a igreja. Características predominantes até hoje na via, que ainda permanece como uma das principais da cidade.

“Passaram-se 62 anos entre a instalação definitiva da sede da Vila Nova da Imperatriz na povoação de Santa Teresa, em 1862, até que esta fosse elevada à categoria de cidade, através da Lei nº1.179, de 22 de abril de 1924”, informa trecho do livro Breve História de Imperatriz.

Com 100 anos de fundação Imperatriz ainda evoluia aos poucos. Com um pouco mais que três ruas, a cidade era isolada das demais. “Imperatriz era chamada de Sibéria Maranhense, pois era isolada, e com difícil acesso, não tinha estradas. Os principais contatos eram com cidades também localizadas na beira do rio Tocantins”, acrescentou Adalberto.

A realidade começou a mudar com a construção da primeira estrada em 1953, que ligava a cidade ao município de Grajaú. Segundo o historiador, Imperatriz passou então por um surto de crescimento.

A cidade só passaria por outro boom de desenvolvimento com a construção da Belém-Brasília em 1958. “Bernardo Sayão, responsável pela rodovia, escolheu Imperatriz como ponto de partida. A cidade foi privilegiada e se tornou um ponto de referência”, destaca Adalberto.

Dois anos após o início das obras a cidade já sentia os bons resultados, quadruplicou o número de habitantes e ganhou seu primeiro aeroporto. Depois da abertura da estrada que ligou o município com o Nordeste, houve um crescimento populacional da cidade e na zona rural, surgindo novos povoados. Imperatriz começou a tornar-se um ponto de encontro, graças a seu posicionamento geográfico privilegiado, posicionado entre três estados: Maranhão, Pará e Tocantins, que na época era Goiás.

A partir da chegada dos migrantes nordestinos, no começo da década de 50, ocorreu no município um aumento da produção agrícola. A cidade passou então pelo chamado “ciclo do arroz”, segundo o historiador. “Imperatriz transformou o Maranhão no maior produtor de arroz do país”. Naquela época muitas famílias começaram a povoar os arredores da cidade para o plantio. “E assim surgiu a Estrada do Arroz, pois era uma via que facilitava o transporte dos grãos”, acrescenta.

Dotada de boas estradas, navegação fluvial e aérea, consolidou-se, na década de 80, como polo de abastecimento comercial de todo o sul maranhense. Com tanto potencial a cidade começou a se especializar no terceiro setor e investir em comércios e serviços e assumiu o posto de capital local. Atualmente, Imperatriz é considerada uma metrópole regional. Possui uma área de 1.368,987 km² e 247.505 habitantes, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE).

Hoje, por força de seu grande desempenho nos setores do comércio e da prestação de serviços, Imperatriz ocupa a posição de segundo maior centro político, cultural e populacional do estado. A história e o desenvolvimento de Imperatriz deram-lhe diversos títulos, entre eles o de "Portal da Amazônia - Capital da Energia".

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